Antonio Justel Rodriguez
NO AUGE DE UMA NOITE DE VERÃO
… há uma profunda quietude e o calor sufocante impregna a noite;
a rua — como dor, profunda e longa —
eleva-se até aos bairros onde a lua é diferente
e um grito amargo revela mil espelhos
de golpes e inocência;
… com esta placidez, não virá a liberdade…?
[não, a liberdade não virá]
… como um prazer selvagem de luz e sangue,
canções ressoam pelas veias mais quentes,
os sons de amigos prestes a chegar,
e a razão soa e dói, a magnitude que ignora este meu olhar
sem regras nem limites;
… e tudo acontece agora, presente e claro como a campainha que insiste e insiste,
aquela que chama e interrompe a espera limpa e fresca
subitamente incendiada;
… Vou abrir a porta e devo fazê-lo com cuidado, muito cuidado;
Os meus amigos não sabem que as paredes da casa estão a arder.
*** António Justel
https://antoniojustel.com
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Published on e-Stories.org on 06/23/2026.